Hospital Erasto Gaertner

Hospital Erasto Gaertner
Hospital Erasto Gaertner

Mesmo sem ter sido oficialmente inaugurado, o tratamento de pacientes com câncer acontecia desde 1970 quando Paulo Pimentel, governador do Paraná, doou uma bomba de cobalto, que permitia realizar 47 sessões de radioterapia por dia. Com o esforço da comunidade e voluntariado, foi possível reunir recursos para finalizar e inaugurar efetivamente o Hospital Erasto Gaertner, em 8 de dezembro de 1972.

No início o Hospital oferecia basicamente atendimento clínico e cirúrgico, atendendo com uma sala de cirurgia, um aparelho de radioterapia e a bomba de cobalto. Eram poucos pacientes. O credenciamento do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) – que posteriormente se desmembraria com o Sistema Único de Saúde (SUS) – só ocorreu em 1973, quando o número de pessoas atendidas começou a crescer. Entre os primeiros médicos estavam Sérgio Hatschbach, Benedito Valdecir de Oliveira, Massakazu Kato e Marcos Montenegro, que retornavam de especialização em São Paulo para dar início a missão do Erasto Gaertner. Em 16 de abril de 1973, os médicos Massakazu Kato, Sérgio Hatschbach, Benedito Valdecir de Oliveira e Eduardo Alves de Toledo realizaram a primeira cirurgia em uma paciente com câncer de colo de útero, mesmo sem banco de sangue ou tecnologias avançadas.

Em 1975, iniciaram-se as primeiras aquisições de equipamento, com a chegada do primeiro acelerador linear, e em 1976 do computador científico, ambos para a Radioterapia. Em 1979 foi criado o departamento de física médica e no ano de 1980 ocorreu a inauguração UTI. A adoção de um sistema de qualidade em 1975, com programa Círculos de Controle de Qualidade, foi destaque entre os hospitais. Nos anos seguintes não foi diferente. Preocupado com proporcionar a toda Instituição ferramentas de qualidade, em 1980 foi criada a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). A Qualidade abrange rigorosamente todos os setores do Hospital, o que já permitiu certificados como ISO, Acreditação Hospitalar e Boas Práticas de Fabricação, da Anvisa.

Um dos principais desafios era que a aquisição de equipamentos precisava acompanhar a evolução da medicina, para oferecer o que há de melhor no tratamento do câncer. Em 1987, por exemplo, tornou-se pioneirono sul do país com o tratamento do câncer de mama sem retirada total da mama e em cirurgias de tumores cerebrais. Nos anos 80, o Dr. Marcos Montenegro viajava até o Rio de Janeiro a cada dois meses para pegar quimioterápicos no Instituto Nacional do Câncer (INCA), que fazia a distribuição. Em 1984, o Dr. Nils Gunnar Skare passou a administrar os quimioterápicos aos pacientes. Pacientes pediátricos eram atendidos no Hospital desde 1973, porém, em 1979, foi inaugurada uma ala específica para esse público.

A Pediatria trouxe o conceito multidisciplinar para a Instituição, e as crianças e adolescentes passaram a receber acompanhamento de professores para que não abandonassem os estudos quando terminassem o tratamento. A área física foi reformada em 2006 com auxílio do Instituto Ronald McDonald e demais parceiros colaboradores, contando com acomodações individuais, com decoração apropriada para a faixa etária, apartamentos para isolamento quando necessário, e com amplas enfermarias, onde há espaço adequado para a permanência de acompanhante, com banheiros diferenciados para as crianças e familiares. Hoje, o serviço atende cerca de 300 novos casos por ano, sendo 20% provenientes de convênios e 80% do SUS.

Também em 1979, surgiu o Serviço de Prótese Bucomaxilofacial, comandado pelo médico Benedito Valdecir de Oliveira, e que em 1985 se tornaria o Instituto de Bioengenharia Erasto Gaertner (IBEG), com o objetivo de promover a reconstrução estética e desenvolver cateteres e materiais hospitalares para o Erasto Gaertner e outras instituições.Atualmente, o IBEG é o único fabricante nacional de cateter totalmente implantável, e conta hoje com uma equipe de técnicos especializados nas áreas de usinagem, acabamento e montagem, todas elas voltadas à área médico-hospitalar. Com grande circulação de profissionais da área da saúde se aperfeiçoando diariamente com produção de conteúdo sobre o câncer, viu-se a necessidade de organizar os estudos em um setor.

Em 1985 foi criado o Centro de Ensino e Pesquisa (Cepep), que reuniu pesquisa, estudos científicos, residências, estágios, cursos e especializações e possibilitou que em 2004 o Erasto se tornasse um hospital-ensino. Buscando um avanço no diagnóstico precoce da doença, em 1989 foi criado o Centro de Tomografia, hoje Serviço de Imagem, que faz uma média de 2.131 procedimentos por mês. Além do diagnóstico, antes mesmo da inauguração do Hospital, havia uma preocupação com as ações de prevenção, como o Clube do Siri da Rede Feminina, nos anos 50. Ao longo da história da Instituição esse conceito foi se consolidando.

No final dos anos 80 surgiu a Campanha do Câncer Bucal, comandada pelo cirurgião dentista Laurindo Moacir Sassi, que já atingiu cinco mil pessoas em 23 anos de campanha. Em 1992 foi criada a Unidade Prevenção e Detecção Precoce (Predep). A unidade capacitou 11 mil professores sobre prevenção do sol, combate ao fumo, HPV e detecção precoce, e em 93 e 94 fez o Guia Prático de Prevenção do Câncer, em versões de revista e vídeo.

De 2003 a 2008, o Hospital desenvolveu o programa de entrevistas para rádio Alô Doutor. O programa tinha dicas e informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, e era direcionado a rádios AM/FM, abrangendo municípios no Estado do Paraná e Santa Catarina, São Paulo e Paraguai, totalizando mais de dois milhões de ouvintes. Todos os anos o Hospital também atua junto à sociedade com campanhas em datas preconizadas pelo Ministério da Saúde, como o Dia Mundial sem Tabaco, Dia Nacional de Combate ao Fumo e o Dia Nacional de Combate ao Câncer.

Paralelamente à inovação tecnológica, surgiam novos serviços e áreas de apoio, como a Fisioterapia, em 1987, e o Grupo Interdisciplinar de Suporte Terapêutico Oncológico (Gisto), em 1994. A Fisioterapia em oncologia é uma especialidade que tem como objetivo preservar, manter, desenvolver e restaurar a integridade cinético-funcional de órgãos e sistemas do paciente, assim como prevenir os distúrbios causados pelo tratamento oncológico. Rapidamente, se destacou na Instituição. A criação do Gisto, como um grupo que pudesse cuidar de pacientes fora das possibilidades curativas, teve sua oficialização em outubro de 1994. De grupo tornou-se o serviço de Cuidados Paliativos e Tratamento da Dor, que atende somente pacientes do SUS e possui uma equipe constituída por duas médicas, uma enfermeira, uma técnica de enfermagem, uma nutricionista e consultores na área da Psicologia e Serviço Social, além de treze voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer.

O Registro Hospitalar do Câncer iniciou suas atividades em 1990, preenchendo fichas de tumores de pacientes, dentro das diretrizes do Ministério da Saúde. Com esse levantamento, os 43.196 casos cadastrados entre os anos de 1990 a 2009, dados epidemiológicos imprescindíveis para entender o comportamento do câncer, viraram um livro: ?Duas décadas de Coleta de Dados?. São informações sobre a incidência da doença nos diversos grupos, os tumores mais frequentes e até a situação do paciente após a primeira fase do tratamento. Quando o número de pacientes vindos de outras cidades e estados era alto, percebeu-se que era necessário criar um espaço para essas pessoas ficarem acomodadas em hospedagem especializada durante o tratamento. Assim, em 1989, com a doação do terreno pela esposa do ex-governador Jayme Canet Júnior, foi inaugurada a Casa de Apoio Lourdes Canet, que até 2010 recebia pacientes e acompanhantes. Com a mudança de perfil dos pacientes atendidos, a CALC foi transformada em um Centro Administrativo, e hoje abriga departamentos internos da Instituição.

A inflação na década de 90 resultou na falta de recursos para investir, mantendo apenas a sobrevivência da instituição. Entidades filantrópicas tiveram verbas congeladas e não recebiam repasses. Devido à estagnação, o Hospital não pode investir em recursos tecnológicos nem estrutura. Com a criação do Plano Real, que conteve a inflação, e o apoio da sociedade e novas determinações do Ministério da Saúde, foi possível se reerguer. A partir da regionalização do atendimento oncológico, em 1995, progressivamente o Hospital passou a atender principalmente Curitiba e Região Metropolitana.

Em 2003 foi implantado o novo estatuto, juntamente com um novo Conselho de Administração e Fiscal. Com uma nova forma de comandar o Hospital, o foco era ser autossustentável. No mesmo ano, o novo modelo de organograma matricial promoveu uma administração mais participativa, ágil e eficiente. No mesmo ano foi estabelecido o Plano Anual de Trabalho (PAT), um planejamento para máxima eficiência e menor custo. No início de 2008 um novo Centro Cirúrgico foi inaugurado, com sete salas para cirurgias simultâneas e com tecnologia em vídeo-cirurgia, para proporcionar segurança e conforto aos pacientes, além de aumentar em 20% a capacidade, chegando até mil cirurgias por mês.

Desde o início o Serviço de Nutrição e Dietética representa o cuidado personalizado com cada paciente. Existem várias dietas diferenciadas de acordo com a indicação clínica de cada paciente, aqueles com ingestão alimentar reduzida devido ao tratamento oncológico, bem como os pacientes pediátricos. A Radioterapia, em 2006, passou por uma reformulação do espaço e aquisição de novos equipamentos, transformando-se num dos melhores parques tecnológicos da área.

Em 2008 e 2009 a Quimioterapia SUS passou por uma reforma que aumentou a capacidade de atendimento e ampliou espaço físico. Também em 2009, com a criação da Central de Logística, foi possível aperfeiçoar tempo e materiais, com a centralização de recebimento, conferência, armazenamento, conservação, administração de estoque e distribuição para todo o Hospital. A Farmácia lançou o I Guia Farmacoterapêutico do Hospital Erasto Gaertner em 2011, um instrumento de promoção do uso seguro e racional dos medicamentos.

Também em 2011, aconteceu o lançamento da campanha Toda Vida Vale a Pena, com a presença do ator Lima Duarte e sua família. Ainda em 2011, a inauguração do memorial dos superintendentes e da Rede Feminina de Combate ao Câncer reuniu e emocionou familiares dos fundadores da LPCC. Para atender a atual demanda e aumentar o número de atendimentos, o Hospital precisa crescer ainda mais.

A Instituição está ampliando suas instalações em uma obra de 3.500 metros quadrados, orçada em mais de R$12 milhões. O espaço abrigará uma nova Unidade de Transplantes de Medula Óssea, 30 leitos de internação, 22 consultórios, um novo Pronto Atendimento com sete leitos, entradas setorizadas, entre outros benefícios, dobrando o número de atendimentos realizados hoje.

Em 40 anos, a cada dia surgem novos desafios: buscar novas parcerias, fechar o balanço financeiro sem dívidas, ampliar a estrutura, buscar novas tecnologias e serviços. Mas a missão do Hospital, combater o câncer com humanismo, ciência e afeto, permanece. Hoje sem o estigma de dor e morte, mas sim de esperança e cura.

Endereço:
R. Dr. Ovande do Amaral, 201 – Jardim das Américas
CEP 81.520-060 – Curitiba/PR
Telefone: (41) 3361-5000 | Doações: 0800-643-4888
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